Pela liberdade de escrever

29 de março de 2016 2 comentários

Outro dia eu vi uma lista contendo algumas das piores obras literárias escritas na língua inglesa. Como bookworm assumida e escritora de contos por hobbie, achei que o post iria me render algumas boas risadas. Não poderia estar mais enganada.

O que me assustou foi a quantidade de adolescentes que apareceram na lista. Crianças inspiradas e que tiveram seus sonhos destruídos por publicações precoces e uma boa dose de maldade humana. Sério gente, criticar a fanfic de uma adolescente? Escarnecer a publicação de um garoto de 16 anos para uma revista de ficção científica? Vocês não tem nada melhor pra fazer da vida não? Quem sabe escrever uma obra prima que seja reconhecida mundialmente e ganhar um Nobel de Literatura. Ah não... esqueci que você está ocupado demais destruindo o sonho de C-R-I-A-N-Ç-A-S.

O que tento dizer é que na adolescência descobrimos nossas paixões, aquelas que vão ser levadas para a vida toda. E nós tentamos desenvolvê-las. Escrever leva prática e essa prática ao nosso estilo próprio. Ao longo do caminho vários erros são cometidos. O uso de linguagem rebuscada, narrativas cheias de clichês ou confusas, erros gramaticais. Coisas que são aperfeiçoadas com o tempo.

Segundo a lista, James Theis, autor aos 16 anos de The Eye of Argon sentiu-se tão envergonhado pela crítica que recebeu que nunca mais publicou outro livro. Entretanto, em feiras nerds, a sua obra ainda é lida em tom de escárnio por "fãs" dele. Queria dar a esses caras um prêmio de piores seres humanos do mundo.

Fico aqui pensando em quando comecei a (gostar de) escrever. Todos os clichês que eu cometi, todas as Mary e Gary Sues que criei, meus anacronismos, erros de pontuação; as redundâncias que fiz e ainda farei. Penso no texto científico de 11 páginas que enviei semana passada ao meu orientador para revisão. Lembro da futura tese de doutorado que publicarei e no meu livro de ficção ainda por escrever. Nada disso seria possível sem os romances sem sal e as estórias de zumbi que elaborei aos 14 anos.

Deixo um abraço bem forte para o James Theis, Gloria Tesch, a pessoa anônima da fanfic de Harry Potter e todas as crianças, adolescentes e jovens adultos desse mundão afora que gostam de escrever e não tem medo de narrar suas estórias.Vocês já fizeram mais do que qualquer um que os critique.

Pequena citação de utilidade pública

17 de março de 2016 2 comentários
via Ben Heine

“O presidente, em particular, é simplesmente uma figura pública: não detém nenhum poder. Ele é aparentemente escolhido pelo governo, mas as qualidades que ele deve exibir nada tem a ver com liderança. Ele deve é possuir um sutil talento para provocar indignação. Por esse motivo, o presidente é sempre uma figura polêmica, sempre uma personalidade irritante, porém fascinante ao mesmo tempo. Não cabe a ele exercer o poder, e sim desviar a atenção do poder.

Douglas Adams. O Guia do Mochileiro das Galáxias (vol. 1), p. 46.

A Mafalda e a Borboleta

28 de fevereiro de 2016 6 comentários
via Ariana Luca

Lembro-me do primeiro post que escrevi na vida. Foi em 2007, era a letra de uma música... da Pitty? do CPM22? Não recordo. De qualquer forma, era uma música dessas bandas de rock brasileiras que gostava muito na época e que parei de ouvir não sei por quê. Isso foi em 2007, aos meus 14 anos.

De lá pra cá tive uma pataquada de blogs... e em 2011 parei n'A Mafaldista. O que era só um meio de expor meus pensamentos, de me fazer sentir no mundo (sentimento raro pra uma criança que vivia o drama da solidão e do bullying escolar) acabou virando coisa séria. Nessa época já tinha Facebook, Twitter, Youtube, Tumblr e os comentários do blog não eram mais o único meio de interagir com seus leitores.

A Mafaldista acabou virando uma parte muito profunda de mim... Ela criou uma personalidade própria. Era eu, porém um eu externalizado e paradoxal. Ao mesmo tempo que gritava "basta" em meus posts, para quem quisesse ouvir, ainda era tacanha, introvertida. No fundo não queria que meus posts fossem lidos, eu ainda era a menina de 2007 que desejava sumir do mapa.

2015, o ano em que tentei dar fim n'A Mafaldista, parece ter levado 5 anos pra passar. Aconteceu uma bizarrice atrás da outra, uma pior do que a outra na minha vida. E isso me fez perceber o quanto eu tinha mudado e o quanto a imagem que eu possuo de mim divergia daquela que era transmitida no blog. Então fechei tudo, gritei mais um "basta" bem alto e decidi que chega de blogs pra mim.

Mas uma vez blogueira, sempre blogueira e mal o ano começou, já estou aqui de novo. Pensei em voltar com outro blog, mas não ia dar certo. Tal como eu (e você também) esse blog muda, vai de lagarta pra borboleta e volta a ser lagarta de novo. Comecei esse blog em 2011 no blogger e volto pra cá com a felicidade e a impressão de que reencontro uma velha amiga. A Mafaldista está de volta.

Por enquanto não possuo grandes planos nem ambições. Por enquanto eu só quero sair escrevendo... até porque essa sempre foi minha vibe mesmo. Nunca tive blog de nicho, nunca tive aspirações de criar portal ou virar celebridade da internet. No fundo, tal como a menina de 14 anos eu só quero um espacinho pra divagar. Mas alguma coisa mudou no que me dá vontade de escrever. Ainda não entendi bem o que é, mas com o tempo descobrirei. Até lá, vou postando...

... O que não me sai da cabeça é que em 8 anos blogando, eu ainda não aprendi a escolher imagem pra posts!
 
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